"Ninguém nunca encontra a felicidade, a não ser quando cessa de procurá-la. A minha felicidade maior consiste, exatamente, em não fazer nada, absolutamente, que seja calculado para obter a felicidade. (...) Eis como resumo isso:
O céu nada faz: seu não-agir é sua serenidade.
A terra nada faz: seu não-agir é seu repouso.
Da união desses dois não-agires
procedem todas as ações,
todas as coisas são feitas.
Todos os seres em sua perfeição
nascem, portanto, do não-agir.
Daí se dizer:
'O céu e a terra nada fazem.
Nada há, porém, que não façam'.
Onde estará o homem
capaz de alcançar este não-agir?"
O Amor é não-agir.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Molhados de Mar

O Mar olhou pra tudo aquilo ao seu redor: os barcos que deslizavam docemente sobre suas águas, os peixes que se apressavam dentro do seu íntimo, a linha do horizonte delineando-o levemente, os pés dos humanos sendo beijados pela sua branca espuma, as nuvens formando graciosos desenhos e o céu pintado por todas as cores de um lindo crepúsculo. Depois de suspirar admirando tudo aquilo, o Atlântico descobriu que também fazia parte daquela delicadeza de mundo e pôs-se a chorar. O Amor também é Mar.
sábado, 29 de agosto de 2009
sábado, 15 de agosto de 2009
Meus olhos cansados procuram
Descanso no verde do mar
Como eu procurei em você
O descanso que a vida não dá
Tom jobim
Descanso no verde do mar
Como eu procurei em você
O descanso que a vida não dá
Tom jobim
sexta-feira, 17 de julho de 2009
O sol pega o trem azul
Foto: http://www.flickr.com/photos/adrimiyuki/2569726215/Em meio aquelas tantas canetas e lápis coloridos (infinitas possibilidades), ela demorou algum tempo para descobrir como iria começar a enfeitar o papel em branco que estava disposto na mesa. Pensou primeiro num campo com flores e pernas trançadas, depois pensou num céu multicolorido lembrando das tardes que passava na beira da praia, mas resolveu dançar com o desenho da despedida. Lenços brancos segurados por mãos tão finas desgastadas pela química dos sabãos das roupas e lágrimas que não paravam de escorrer dos olhos já cansados de tanto enxergar a saudade: essa era Beatriz, completamente apaixonada, transbordando das lembranças mais lindas que uma jovem poderia ter. No trem azul que soltava a fumaça parda logo em seguida, estava o seu coração e ele tinha um nome: Téo. O sol iluminava a estrada de ferro que cortava a mata fechada e a cada apito distante da maria-fumaça, a alma de Beatriz se contorcia e chegava cada vez mais perto do escuro... Era amor demais indo pra tão longe, pra o outro lado da sua presença.
O desenho tinha ganhado contornos que a sua autora jamais imaginaria e as cores começaram a entrelaçar-se entre a realidade e aquilo que ela um dia sonhara, era tudo grande demais.
sábado, 27 de junho de 2009
Foto por: http://www.flickr.com/photos/bombeador/1063866266/Agora escrevo pássaros.
Não os vejo chegar, não escolho,
de repente estão aí,
um bando de palavras
a pousar
uma
por
uma
nos arames da página,
entre chilreios e bicadas, chuva de asas,
e eu sem pão para dar, tão somente
deixo-os vir. Talvez
seja isto uma árvore,
ou quem sabe,
o amor.
Julio Cortázar
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